Janelas

by Matheus Trunkle

Da casa,
Depois da porta,
Dentre todos os possíveis orifícios
De saída ou
De entrada,
Vem sempre a janela.

Abro-a
Para entrar ou para sair?
Retângulo oblíquo deflorador
De intimidades. Como pode o meu modo de amar
Se esconder dos olhares úmidos de curiosidade?
A luz alaranjada do abajur quebradiço foge noite afora,
Janela afora,
Junto do ar quente
Emanado de nossos corpos
Em movimento.

Cada janela seria um íntimo,
Cada íntimo um grande universo,
Cada grande universo um pequeno quarto,
O nosso,
Cotidiano de esconderijo.
Qual o seu? Qual o meu? Haveria algo
– Limites –
Quando janelas se entrecruzam olhares?
Cara a cara,
Tête à tête,
Face to face,
Dia a dia,

Inevitavelmente

Abro-a
Para algo sair,
Mas o faço com a esperança e com
Intenção de que sempre algo entre,
Nem que seja o mormaço de uma manhã de verão.

Mas prefiro que ela seja aberta somente à noite:
Não me é suportável os calores
E me convém olhar as estrelas,
Nem que sejam somente cinco delas
Por entre os prédios e casas
Cujos moradores mantêm as janelas
Sempre fechadas.

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