Escritos de Afeto

pois afetar e ser afetado é o que nos resta

Month: June, 2013

Ciborgue

Procura-se origem
Morta ou viva
Ofereço recompensa
Ainda que eu saiba
E reconheça o fato
De que ela está lá
Em lugar nenhum
Para ser achada

Não sou dicotomia
Vivo da cooperação
De ambos os lados
Extremos

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Sangue De Barata

Cinza ele seja
Talvez
Nojento também
Quem sabe

Embora poucos saibam
Da minha admiração
Por Franz
Acordo todos os dias
Vindo de noites de sonhos
Intranquilos
E não me tornei
Ainda
Um monstro

Talvez
Quem sabe
A metamorfose surja
De dentro para fora

A começar pelo sangue.

A Festa

Como pôde ser aquilo um reencontro
Se antes nunca sequer os encontrei?

Sangue, todos ali,
Do meu sangue
Linha púrpura de nomes que correm
No decorroer dos séculos oblíquos

: um seguir de eventos sem historicidade nenhuma
: estatística que estática mantém os mesmos números
: retorno eterno às mudanças mínimas
: relógio avesso à própria temporalidade

Rostos estes que são enquadrados em tela
Filme meu que assisto sozinho
(restos & rotos & ratos)
Ritos de passagem, talvez,
Pois passo e deixo passar o passo
Da dança complicada, hereditária, herança que
Prefiro não ter e não ser
Não ouvir haja o que houver
Nunca passar à frente o sangue
Pois sou estéril por opção, demanda maldita
Castração agressiva e abstrata na qual deito e rolo
No rolo do prazer dos corpos

Mas sempre haverá algo
Não importa o que eu faça

Sombras inquietas que povoam meu pulmão
Fantasmas da noite que nunca deixam
A porta aberta para me assustar
Mas me assustam apenas estando lá, quietos,
Atrás da porta fechada

Mas então
Você segura minha mão
Por debaixo da mesa de festa

Dissipa-te!