A Festa

by Matheus Trunkle

Como pôde ser aquilo um reencontro
Se antes nunca sequer os encontrei?

Sangue, todos ali,
Do meu sangue
Linha púrpura de nomes que correm
No decorroer dos séculos oblíquos

: um seguir de eventos sem historicidade nenhuma
: estatística que estática mantém os mesmos números
: retorno eterno às mudanças mínimas
: relógio avesso à própria temporalidade

Rostos estes que são enquadrados em tela
Filme meu que assisto sozinho
(restos & rotos & ratos)
Ritos de passagem, talvez,
Pois passo e deixo passar o passo
Da dança complicada, hereditária, herança que
Prefiro não ter e não ser
Não ouvir haja o que houver
Nunca passar à frente o sangue
Pois sou estéril por opção, demanda maldita
Castração agressiva e abstrata na qual deito e rolo
No rolo do prazer dos corpos

Mas sempre haverá algo
Não importa o que eu faça

Sombras inquietas que povoam meu pulmão
Fantasmas da noite que nunca deixam
A porta aberta para me assustar
Mas me assustam apenas estando lá, quietos,
Atrás da porta fechada

Mas então
Você segura minha mão
Por debaixo da mesa de festa

Dissipa-te!

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