Colapso

by Matheus Trunkle

Meu lapso discursivo
Surge quando eu digo:
– Eu quero que
Morremos
Todos
Nós, porém

O lapso discursivo dele é outro
O eco ressurge do mais profundo

Mar que corrói a parede gasta
Pelo tempo e pela maresia cruel

Ele retoma o discurso utilizado por nós
E adiciona raiva & remorso & rotatividade

São nossas vozes roucas na dele agora potente
E nossa força fraca na dele agora sem controle

Pois que ele aponta & diz & mostra
O quanto todos nós falhamos nele (para com ele)

Esperança não há, desespero, aí sim
Aos poucos vão as forças, felicidade vã

E resta a carcaça da baleia morta, encalhada à praia
Vazia, somente a estrutura que ajudamos a construir

O interior, aquilo que importava, perdemos, talvez
Olho nos seus olhos e percebo a escuridão minha

Perdendo-se na escuridão dele, mais densa e bruta
Sombra irmã na vida e afetiva nas trevas, coração selvagem

Meu lapso discursivo
Surge quando eu digo:
– Eu quero que
Afogamos
Todos
Nós
No colapso dele
Nas nossas escolhas

Te te(a)mo, irmão.

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