Suo

by Matheus Trunkle

Em bicas
Essa é a verdade
Tão fedorenta que prefiro
Escrever a falar

Pode soar estranho
Mas suo como sangue
Escorrendo em pele
E pelo pela pele
Grudenta e quente

Sou destruído em qualquer ato
Perco força e canso
De vida
Mas chato é quando percebo
Que perdi minhas roupas
E minha poesia
Para a corrosão do suor
E a ferrugem da língua

Mas não seria
Este gosto de sangue
Mas não seria
Eu estar nu, aqui, junto a você

O fato de eu estar vivo?

Moro pelos polos
Morro pelos poros
Desde criança
Assim
Toda noite

Molhado como sempre, preocupada
Minha mãe me levava ao hospital
É normal, dizia o médico,
Este menino será grande

Grande?
Que suem as cinco badaladas
Que soe todo meu corpo

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