De poeta a poeta

melanc

 

Escrevo-te não por querer
Mas por precisar
Da precisão
Dos teus movimentos

Talvez venha daí
O peso das minhas palavras
Chumbo-corpo que me põe
Em profundidades
Talvez venha daí
A leveza das tuas
Músculo-semântico que te ascende
Às alturas

Admiro a solaridade
Que emanam teus cabelos e olhos
O que faz de tua fotossíntese
Uma poética do prazer:
Mastigo e digiro
Amargas ou doces
Todas as tuas palavras
Sem indigestão

Já eu soturno que sou
Giro em torno das minhas
Saturno melancólico
Nauseanel inconstante
Que me força para fora tudo
Até que me reste nada
Senão a bílis negra

Mesmo assim
Somos poetas
Mesmo assim
Somos professores
Mas apenas tu és o mestre
Das artes indeléveis e leves
Do corpo e do corpo
Do texto

Aprendo contigo

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