Tritão

by Matheus Trunkle

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Não exiges de mim enigma algum
Devoras-me sem o direito de escolha
E gosto

Como demonstração de piedosa fome
Antes me seduzes com tempestade e ímpeto
De quem com o som constrói o sentimento
Vindo de todas as vísceras do nosso corpo

Homem-peixe
Teu membro rijo me consola continuamente
Impiedoso e intermitente
Invasor de vazios que precisam ser preenchidos
Com constância e candura
Amante marinho que apesar do mar trôpego
Consegue sempre manter minha náusea
Em terra firme

A loucura de Odisseu é febre quente
Cuja cura virá somente quando preso
Em teu mastro
Encurralado pelo teu encanto
Serei a sempre tua
Distância e aproximação
Da década que nos coloca juntos
Como a frágil linha que liga
Nosso mais abissal monstro
Ao nosso mais humano corpo

Mergulhemos?

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