Escritos de Afeto

pois afetar e ser afetado é o que nos resta

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Desconforto

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Acordo todas as manhãs
De sonhos-silêncio
E meu corpo está sujo
Carvão fuligem negra
Do incêndio que é meu peito
Mina habitada pela criatura
Que implora conforto todo dia
Mas nunca o tem então
Roga confusa feito criança
Que não sabe por que chora
Que tampouco entende a tristeza
Do confinamento em si mesma
Que procura fuga e por isso dói

Rasga de dentro para fora a carne
Esmaga com punhos cada osso
Me estira músculo e fibra
Me abre enfim

Dor é salvação
O alívio meu Deus o alívio
O horror da plenitude
O vácuo em mim
E a felicidade da criatura
Que foge livre

Análise

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Nem com lança
Tampouco com injúria
Juro que sou o humano
Pós civilização de Freud
E digo humano para não dizer homem
Pois preciso afirmar minha humanidade
Para saciar o monstro que me acorda
Todos os dias
Em todos os lugares
Especialmente quando vivo-junto
De outros tantos
Estranhos que insistem na dizimação
Mútua por meio
De lanças e injúrias
Tão próximos porém longínquos
Como a paisagem que exige a distância
Para não expor sua feiura
Como a doença que secreta
Come carne sob lupa de aumento

Sinto medo do prazer que
Sinto muito
Ao usar as armas dos outros
A meu favor